Brasil domina ranking financeiro da Sul-Americana, mas não traduz em títulos

A fase de grupos da CONMEBOL Sul-Americana de 2025 vai começar nesta terça-feira (1º). São 32 clubes na disputa, com sete brasileiros em busca da segunda taça mais importante do continente. Os times do Brasil dominam o ranking dos mais ricos da competição, com os elencos mais valiosos, mas isso não significa que terão vida fácil. A história mostra justamente o contrário. O país não tem conseguido traduzir a soberania financeira em títulos.

É importante entender o contexto. A Sul-Americana foi criada em 2002 para substituir outras competições que eram “coadjuvantes” da Libertadores, como Copa Conmebol, Copa Mercosul e Copa Merconorte, por exemplo. As equipes brasileiras, a princípio, não deram muita moral: ficaram fora da primeira edição por questão de calendário. A participação nacional começou em 2003 e, até aqui, foram conquistados apenas cinco troféus, com São Paulo, Internacional, Chapecoense e Athletico-PR (duas vezes).

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Por algum tempo, o torneio foi tratado como algo de segunda prateleira. Nos últimos anos, porém, os brasileiros estão levando mais a sério, mas mesmo assim enfrentam dificuldades para saírem vitoriosos. A situação contrasta com o domínio do Brasil que tem sido visto na Libertadores, sobretudo na última década.

Na atual edição, os representantes nacionais na Sul-Americana serão Corinthians, Cruzeiro, Grêmio, Atlético-MG, Vasco, Fluminense e Vitória. Juntos, desde 2002, acumulam quatro títulos de Libertadores; de Sul-Americana, nenhum. Será que a história vai mudar agora?

Domínio financeiro

A primeira rodada da Sul-Americana já deixará claro uma característica importante: o domínio financeiro que os representantes brasileiros exercem diante de outras equipes. O Grêmio vai estrear, por exemplo, contra o Sportivo Luqueño, do Paraguai, fora de casa. O time gaúcho está entre os três mais ricos, com elenco avaliado em 93,6 milhões de euros. Já os paraguaios estão entre os cinco elencos menos valiosos do torneio, com valor de apenas 6,08 milhões de euros.

Os sete brasileiros aparecem no top-10 dos times mais caros. Mais do que isso: do primeiro ao sexto elenco mais valioso, todos são brasileiros. Quem “quebra” o domínio nacional é o Independiente, da Argentina, que aparece acima do Vitória.

O San José, da Bolívia, tem o elenco menos valioso da competição: 4,39 milhões de euros. A equipe boliviana está no grupo do Fluminense.

As outras equipes que estão na lista das mais baratas são da Venezuela, Paraguai e Peru – apenas os peruanos já viram uma equipe local ser campeã, em 2003, com o Cienciano.

Longe da soberania

Apesar do domínio financeiro, o Brasil está longe de ser o maior campeão da Sul-Americana. O posto de país com mais títulos fica com a Argentina. As equipes brasileiras acumulam apenas uma taça a mais do que os times equatorianos, por exemplo: 5 a 4.

A diferença diminuiu inclusive pelos anos recentes. De 2019 para cá, quando o torneio passou a ser decidido em final única, equipes do Equador ganharam três vezes: Independiente del Valle (2019 e 2022) e LDU (2023). Os brasileiros, por sua vez, levantaram o troféu uma vez: Athletico-PR (2021).

O número é bem diferente da discrepância que acontece na história da Libertadores: 24 a 1. A única taça equatoriana foi em 2008, quando a LDU surpreendeu o Fluminense no Maracanã.

O que falta para ser campeão?

Não dá para dizer que os brasileiros não tiveram chances de converter a soberania financeira em títulos no últimos anos. O Brasil chegou em finais nas quatro edições mais recentes. Em 2021, um duelo nacional entre Athletico-PR e Red Bull Bragantino deu o título ao Furacão.

Nos três anos seguintes, mesmo tendo o elenco mais caro de decisões em jogos únicos, os brasileiros ficaram com o vice: aconteceu com o São Paulo, em 2022, com o Fortaleza, em 2023, e com o Cruzeiro, em 2024. Todos, vale citar, com elencos mais valiosos que os concorrentes.

Desde 2002, foram oitos vices para o Brasil. Os times que bateram na trave foram Fluminense, Goiás, Ponte Preta, Flamengo, Red Bull Bragantino, Fortaleza e Cruzeiro.

Cenário diferente na Libertadores

Se na Sul-Americana os brasileiros estão sofrendo nos últimos anos, o cenário é completamente diferente na Libertadores. Desde que a final em jogo único foi implementada, em 2019, os times do Brasil foram campeões em todas as edições.

As equipes nacionais também têm soberania financeira no principal torneio do continente, e, nesse caso sim, conseguem confirmar os títulos. Mesmo quando a taça não foi para um dos times mais caros do torneio, o troféu ficou no Brasil, como aconteceu nas últimas duas temporadas, com Fluminense e Botafogo.

Por que os brasileiros não conseguem repetir a soberania da Libertadores no outro torneio continental? É impossível responder tal pergunta com exatidão, mas os participantes deste ano têm a possibilidade de mudar a história daqui para a frente.

Veja os jogos dos brasileiros na 1ª rodada da Sul-Americana:

TERÇA-FEIRA, 1º DE ABRIL

QUARTA-FEIRA, 2 DE ABRIL

  • 19h – Corinthians x Huracán – com transmissão do Disney+

  • 19h – Melgar x Vasco

  • 21h30 – Vitória x Universidad de Quito

  • 21h30 – Sportivo Luqueño x Grêmio

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