Nesta quinta-feira (3), o Palmeiras inicia sua campanha na CONMEBOL Libertadores visitando o Sporting Cristal em Lima, às 19h (de Brasília), pela 1ª rodada do grupo G.
O Verdão chega para o jogo em momento conturbado, após perder a final do Paulistão para o rival Corinthians e iniciar o Brasileirão empatando em casa com o Botafogo. Nas duas partidas, o futebol desagradou muito aos torcedores.
O técnico Abel Ferreira colocou ainda mais lenha na fogueira ao “cornetar” a torcida alviverde depois do jogo – posteriormente, o português fez postagem de se desculpando.
O início de ano turbulento do Verdão ocorre após a diretoria fazer pesados investimentos em reforços para o elenco, ao mesmo tempo em que jogadores importantes também deixaram o clube.
Entre as saídas mais expressivas, aparecem nomes como Vitor Reis, Zé Rafael, Dudu, Gabriel Menino e Rony, que estiveram presente no ciclo de conquistas alviverdes nos últimos anos.
Já entre as chegadas, destaques para “medalhões” como Vitor Roque, Paulinho e Facundo Torres, além de nomes como Emiliano Martínez, Lucas Evangelista, Micael e Bruno Fuchs.
Em meio a essa reformulação, surge a pergunta: seria o Palmeiras 2025 o “melhor” em termos de contratações, mas o “pior” em termos de futebol antes de uma estreia de Libertadores com Abel?
Para debater a situação, ouvimos os comentaristas da ESPN, que apresentaram seus argumentos sobre o Verdão antes da busca pelo sonhado Tetra do continente.
Veja o que eles disseram:
André Donke: “No papel, elenco nunca foi tão forte”
Abel nunca contou com tanto investimento como na montagem do elenco para 2025, com destaque para as chegadas de nomes do peso de Paulinho e Vitor Roque.
Sob o comando do seu atual treinador, o Palmeiras nunca teve, no papel, um elenco tão forte quanto esse.
Na prática, essa força ainda não se concretizou, mas é muito cedo para falar no pior time em desempenho na era Abel, uma vez que ainda é início da versão 2025 – Paulinho sequer atuou e Vitor Roque tem poucos jogos.
Fato é que a cobrança será maior caso o time – que já não tem rendido há um bom tempo – siga sem subir de rendimento.
Diferentemente dos últimos dois anos, o treinador não teria na falta de contrações uma justificativa para um desempenho abaixo do esperado
Bruno Vicari: “A era Abel não acabou”
Melhor ou pior Palmeiras? Neste momento, uma coisa até justifica a outra – ou pelo menos tem sido usada como argumento pelo Abel para justificar o outro ponto.
É importante a gente notar que, pela primeira vez em sua passagem pelo Palmeiras, o Abel lidera uma grande reformulação no elenco. Nos últimos anos, o elenco do início da temporada era praticamente o mesmo que terminou o ano anterior.
Desta vez, ele perdeu peças importantes daquela “espinha dorsal” que ele tinha em campo, com destaques para Zé Rafael, Dudu e Rony. Por outro lado, recebeu muitas peças novas que sequer jogaram ou atuaram pouquíssimo.
O Vitor Roque, que foi o mais caro, tem só quatro jogos! O Lucas Evangelista fez sua estreia no final de semana. Já o Paulinho, outra contratação bombástica, ainda nem jogou!
Então, neste momento, este é, sim, o “melhor Palmeiras” em questão de investimentos e nomes pesados no elenco, mas é o “pior” também porque ainda não jogou inteiro junto. Além disso, o Abel destacou que usaria muito este início de ano para fazer testes.
Não dá para falar que a “era Abel” acabou. Pelo contrário! Um novo capítulo está sendo escrito agora.
E também não é o momento de cravar que esse é o “pior Palmeiras”, que “deu errado” ou que “deu certo”. Essa avaliação só vai dar para fazer no final da temporada.
Fernando Campos: “Palmeiras está devendo, mesmo em reformulação”
Eu acho que o Abel Ferreira nunca contou com tanta qualidade igual ele tenha agora à disposição. É o melhor elenco desde que ele assumiu o Palmeiras, apesar de ter vencido muito e já ter trabalhado com outros elencos de muita qualidade, também vitoriosos.
No momento, a gente tem um nível de investimento muito alto dentro do clube. O Palmeiras foi muito agressivo nessa janela e ele, de fato, tem muito talento para administrar em 2025.
É bem verdade que a gente está falando também de uma reformulação necessária, porque, nos últimos anos, o Palmeiras ganhou muit. Não é fácil você manter um grupo vencedor sempre no topo, sempre levantando taças, e era necessário você mudar um pouco o plantel e buscar uma uma reformulação, uma renovação.
Dentro desse “novo” elenco, as duas principais contratações a gente ainda não pode julgar: Paulinho está lesionado e ainda não estreou, e o Vitor Roque chegou no “olho do furacão”, dentro das finais do Paulista. Tem toda uma adaptação que é necessária, ao modelo de jogo, aos companheiros, à mudança de vida. Tenho certeza que serão dois jogadores que vão facilitar o rendimento da equipe na próxima temporada.
Agora, mesmo sendo uma reformulação, acho que esse elenco já deveria estar apresentando um futebol melhor. O momento é muito ruim, mas não só esse ano Desde o ano passado, em 2024, eu vejo uma queda.
O Palmeiras tem um elenco de clube protagonista, mas não tem um futebol de protagonista, principalmente com a bola. O Palmeiras é muito dependente do Estêv]ap, que vai sair no meio do ano, e muito dependente do lançamento ou cruzamento.
Acho que o Palmeiras pode ter um jogo mais curto, um jogo com mais capacidade. No momento, tem dificuldades na criação, e aí é o grande desafio do Abel. Ele tem qualidade à disposição, mas tem que converter isso em rendimento. Por enquanto, isso não está acontecendo, e não só ofensivamente.
Acho que o Palmeiras tem sofrido também defensivamente, tem cedido muitos espaços para os adversários em contra-ataques, e isso ficou muito nítido no jogo contra o Botafogo, na estreia do Brasileirão.
Mas tenho certeza que o Abel tem toda competência e potencial para melhorar o rendimento dessa equipe, achar o equilíbrio para que o Palmeiras volte a ser forte e poderoso nessa temporada. Por enquanto, está devendo, mesmo nesse contexto de reformulação.