Tudo caminha para que o Brasil, ao contrário da opinião de muitos treinadores e ex-jogadores, tenha um estrangeiro à frente da seleção em breve. Jorge Jesus, português que ganhou quase tudo pelo Flamengo entre 2019 e 2020, é o favorito a ocupar o cargo que era de Dorival Júnior até a última sexta-feira (28), dia do anúncio de sua demissão.
O Mister, apelido pelo qual ficou conhecido entre os rubro-negros, virou o plano A da CBF, que o enxerga como alguém capaz de dar uma nova cara à seleção brasileira. Sua disponibilidade de dirigir o time na próxima Data Fifa, em junho, também pesou a favor em uma disputa com o italiano Carlo Ancelotti, que segue a todo vapor no comando do Real Madrid.
(Conteúdo oferecido por Novibet, Claro, Ford e C6 Bank)
Caberia a Jorge Jesus, se anunciado, o papel de interromper a soberania de brasileiros no cargo de técnico da seleção. Mas, diferentemente do que muitos podem pensar, ele não será o primeiro estrangeiro a dirigir a equipe pentacampeã mundial de futebol.
Entre os 36 efetivos e 19 interinos que já comandaram o Brasil ao menos uma vez, três não nasceram no país. São eles o uruguaio Ramón Platero, o português Joreca e o argentino Filpo Nuñez. O que cada um fez pela seleção, ainda que por um curto espaço de tempo? O ESPN.com.br conta abaixo:
Ramón Platero
Campeão sul-americano pelo Uruguai em 1917, Platero desembarcou no Brasil em 1919, mas para trabalhar no futebol de clubes. Venceu o Campeonato Carioca do mesmo ano pelo Fluminense, depois dirigiu o Flamengo e mudou-se para o Vasco, onde foi bicampeão estadual em 1923 e 1924.
Ganhou a chance de dirigir o Brasil no Sul-Americano de 2025, mas a passagem foi curta. Em 19 dias, comandou a seleção em quatro partidas: venceu duas vezes o Paraguai, mas perdeu da Argentina (por 4 a 1, tal qual Dorival agora) e empatou com os hermanos novamente, em jogo que decretou a eliminação.
Após passar pela seleção, o uruguaio voltou a dirigir clubes do país. Treinou Botafogo, Santos, Palestra Itália (antigo Palmeiras) e também o São Paulo, seu último trabalho, em 1940.
Joreca
Primeiro europeu a ser treinador da seleção brasileira, Joreca fez muita coisa antes de exercer a função. Atuou como jornalista e radialista, fez faculdade de educação física e também trabalhou como árbitro.
Como técnico, marcou época no São Paulo, ao ganhar três títulos do Campeonato Paulista (1943, 1945 e 1946). No meio dos trabalhos, foi convidado para dirigir a seleção ao lado de Flávio Costa, em uma parceria em que o colega representava o Rio de Janeiro e ele, Joreca, o estado paulista.
A dupla atuou em dois amistosos contra o Uruguai, em maio de 1944, e saiu-se muito bem: vitórias por 6 a 1 e 4 a 0, em jogos realizados nos estádios São Januário e Pacaembu. Depois da seleção, Joreca ainda dirigiria o Corinthians, último clube antes de falecer com um ataque do coração, em 1949.
Filpo Nuñez
A passagem mais curta de um estrangeiro pela seleção brasileira foi justamente a única. Em 1965, a antiga CBD decidiu que o Palmeiras representaria o Brasil em um amistoso contra o Uruguai, na inauguração do Mineirão, em Belo Horizonte.
Coube então a Filpo Nuñez, comandante palmeirense à época, a missão de ser o técnico naquele dia. E ainda fez bonito: vitória por 3 a 0 sobre a celeste, gols de Rinaldo, Tupãzinho e Germano.
Fora da experiência na seleção, Filpo Nuñez construiu larga carreira no futebol brasileiro. Trabalhou, entre outros, por Cruzeiro, Guarani, Vasco, Corinthians, Coritiba e Portuguesa, além de rodar por equipes menores como Inter de Limeira, Francana, Operário-MS, Araçatuba, Marília e Uberaba.