Depois de 36 anos, o Bahia está de volta à fase de grupos da CONMEBOL Libertadores. Nesta quinta-feira (3), às 19h (de Brasília), com transmissão ao vivo do Disney+, o time faz sua estreia na Arena Fonte Nova e justamente contra seu algoz na última participação: o Internacional – em uma eliminatória que guarda algo “atravessado” até hoje para alguns tricolores…
Em 1989, os dois times conseguiram ser protagonistas dentro do futebol brasileiro. A começar pela forma como se classificaram à época para a Libertadores. Na temporada anterior, os dois times foram finalistas do Brasileirão (então Copa União), com a decisão sendo disputada em fevereiro do ano seguinte.
Para o Bahia, o final foi mais feliz. Com dois gols de Bobô, os tricolores venceram o jogo de ida em casa por 2 a 1 e seguraram o 0 a 0 no Beira-Rio para ficar com a taça. A curiosidade é que, pela disputa de título ter ficado para o ano seguinte, a estreia na Liberadores aconteceu dias depois, com a rivalidade ainda em alta, como lembra o João Marcelo, ex-zagueiro do Bahia.
“O início da Libertadores foi uma coisa maravilhosa, porque a gente sai de uma conquista de um título num domingo, para iniciar numa terça-feira o jogo da Libertadores. Era um misto de alegria, de felicidade por uma grande conquista depois de trinta anos e de voltar também à Libertadores”.
Pelo regulamento da época, dois representantes de cada país se classificavam e ambos eram sempre posicionados novamente na mesma chave. Nessa fase, mais uma vez, o Bahia prevaleceu.
Na estreia, no Beira-Rio, o Colorado saiu na frente com gol de Diego Aguirre, mas a virada do Tricolor veio com Gil Sergipano e Zé Carlos, garantindo o triunfo por 2 a 1. O volante Paulo Rodrigues, vencedor do Bola de Prata de 1988 atuando na equipe tricolor, lembra o peso dessa vitória.
“Começamos atrás no marcador e conseguimos virar o jogo. Aquilo para a gente foi muito importante, porque nós começamos jogando fora de casa, com um resultado positivo, foi muito bom”.
No segundo jogo, o Bahia fez 1 a 0 no Inter com gol de Charles dentro da Fonte Nova, o que ajudou o time a se classificar invicto no grupo 2. O Colorado também avançou ao mata-mata, mas com uma das piores campanhas da fase de grupos.
Para o ex-atacante Edu Lima, a perda do título brasileiro afetou o Inter no início da Libertadores. “Ressaqueados ainda, não fomos bem na primeira fase. Mas conseguimos classificar”.
Nas oitavas de final, o Bahia enfrentou o Universitario (PER) e passou por 3 a 2 no placar agregado. E o Inter pegou o Peñarol (URU) e venceu por 8 a 3 na soma dos dois jogos.
Veio, então, o reencontro entre baianos e gaúchos nas quartas de final, e o desfecho foi diferente. O Bahia, é importante ressaltar, teve baixas de peso em relação ao time campeão brasileiro e da primeira fase. O craque Bobô foi jogar no São Paulo, e o treinador Evaristo de Macedo, outro ídolo tricolor e hoje muito famoso pelas “resenhas” contadas por ex-comandados, assumiu o Guarani – Renê Simões ficou com sua vaga.
“A saída do Evaristo acabou tendo esse impacto um pouco negativo. Isso foi muito ruim para a gente, porque a gente não esperava. A gente esperava a permanência dele até a gente chegar, quem sabe, à final da Libertadores”, contou Paulo Rodrigues.
Abrindo o mata-mata em casa, o Inter venceu a ida por 1 a 0, com gol de Diego Aguirre, uruguaio que hoje é treinador. Na volta, empate em 0 a 0, assegurando a classificação colorada – a campanha, contudo, acabaria na semifinal, com eliminação diante do Olimpia (PAR).
Edu Lima recorda que esquecer as derrotas anteriores para o Bahia foi algo fundamental para a volta por cima. “Uma coisa que a gente não podia ficar com aquela bola pesada, amarrada no tornozelo, sem andar para frente. E nós começamos a andar para frente, conseguimos chegar na semifinal”, lembra.
Já do lado tricolor, uma reclamação ainda perdura. O jogo aconteceu em dia de tempestade, com o gramado encharcado. Houve, inclusive, a possibilidade de cancelamento, mas o árbitro Arnaldo Cézar Coelho decidiu pela realização da partida. A grama pesada facilitou a missão do Inter em segurar a vantagem.
“Não tinha condições de ter a partida, o juiz achou por bem dar o jogo, diante de tanto protesto nosso, da nossa diretoria, que não queria ter… Mas o juiz estava irredutível, queria realmente dar o jogo e deu o jogo. E nós estamos falando aqui que 89 não acabou”, disse João Marcelo, no lado tricolor.
“Contra a lei da natureza, a gente não pode fazer nada. Choveu, o time do Bahia era um time mais leve, jogadores mais leves, mais leves. O nosso time era um time que tinha jogadores velozes, rápidos, mas era um time fisicamente mais pesado, mais encorpado”, recorda o colorado Edu Lima.
De lá para cá, os times só voltaram a se enfrentar em um duelo eliminatório em 1994, quando o Inter, graças à regra do gol marcado fora de casa, eliminou o Bahia nas oitavas da Copa do Brasil após empate em 5 a 5 no agregado. Agora, um novo capítulo dessa antiga rivalidade será escrito.
Próximos jogos do Bahia
Próximos jogos do Inter
Onde assistir a Bahia x Inter?
Bahia e Inter se enfrentam nesta quinta-feira (3), às 19h (de Brasília), com transmissão ao vivo do Disney+. A Arena Fonte Nova estará lotada para esse reencontro do clube com a fase de grupos da Libertadores.